24 de mai. de 2015

24/05 – São Vicente de Lerins

scd0144_vicente_lerinsDepois que a Igreja teve campo com o edito do imperador Constantino e pôde sair abertamente, começando a fazer parte de direito da nova sociedade que nascia das cinzas do secular império romano, muitos cristãos sentiam um desejo ardente de “desapego do mundo” e o chamado ao “deserto”, isto é à tranquilidade da vida contemplativa, que se traduziu em várias formas de vida monástica e comunitária. São Jerônimo viveu muito tempo em uma gruta próxima de Belém, Paulino de Nola despojou-se de todas as riquezas para viver num quartinho perto do túmulo do mártir são Félix. Muitos escolhiam o deserto propriamente dito, como santo Antão abade, outros colocavam entre si e a tumultuosa sociedade o mar e se refugiavam numa pequena ilha.
Entre os principais refúgios monásticos do século V estava a ilha de Lerins, no Mediterrâneo, perto de Cannes. Fundado por santo Honorato, futuro bispo de Arsel, o mosteiro de Lerins se tornou um viveiro de bispos, de santos e de escritores. Recordamos Euquério, que, antes de se tornar bispo de Lião, permaneceu longamente na ilhota, com a esposa e os filhos e lá escreveu dois livros com sugestivos títulos: Elogio à Solidão; e O Desprezo do Mundo. Mas o nome mais célebre que saiu deste canteiro de santo é são Vicente de Lerins.
Não temos muitas notícias de sua vida. A sua celebridade está ligada a um livrinho sobre a tradição da Igreja, de título: Commonitorium, chamado por são Roberto Belarmino: “um livro todo de ouro.” Trata-se de um manual de regras de comportamento a seguir para viver integralmente a mensagem evangélica. Não havia grande novidades. Em 434 (o ano em que viu o precioso livrinho), o monge fornecia aos futuros teólogos o famoso cânon da ortodoxia, isto é, o meio de medir o valor de uma afirmação teológica: “Devemos nos ater ao que foi sempre crido, por todos e em toda a parte.” Mas são Vicente deseja um progresso: “É necessário que cresçam e que vigorosamente progridam a compreensão, a ciência e a sabedoria da parte de cada um e de todos, seja de um só homem como de toda a Igreja, à medida que passam as idades e os séculos.”
Viveu nos tempos da luta da Igreja contra a heresia pelagiana. Nasceu na França setentrional, talvez na Bélgica e se estabeleceu definitivamente em Lerins, e lá morreu em paz por volta de 450.

Fonte: Cléofas 

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