"Procurai com perseverança a comunhão entre vós" - Papa aos bispos colombianos

07/09/2017



A paz esteja convosco” – é com estas palavras de Cristo ressuscitado aos seus apóstolos que o Papa se dirigiu aos bispos da Colômbia, no Palácio Cardinalício de Bogotá.
“Vim anunciar Cristo e, em seu nome, realizar um caminho de paz e reconciliação. Cristo é nossa paz! Reconciliou-nos com Deus e entre nós”.
E foi efectivamente em torno da questão da paz, reconciliação, diálogo, e valorização de toda a riqueza humana, espiritual e material da Colômbia que o Papa articulou o seu longo discurso. Um discurso em que recordou o papel singular que os Bispos são chamados a desempenhar nessa sociedade dilacerada por anos de conflito, de medo. Mas Francisco não foi à Colômbia para falar do medo.  O que deseja é encorajar a acreditar que pode haver um outro caminho nesse país que, disse, “possui algo de original” que “se esconde aos forasteiros ávidos de a subjugar, mas se oferece generosamente a quem toca o seu coração com a mansidão do peregrino”.
E é como peregrino atento a esse original tesouro multifacetado que Francisco se dirigiu à Igreja colombiana com os seus ensinamentos que se inscrevem – disse - na linha de continuação de quanto haviam já dito os seus predecessores que visitaram a Colômbia: Paulo VI e João Paulo II.
A mensagem de Francisco é: “Demos o primeiro passo”. Com referencias teológicas ao primeiro passo dado por Deus em diversas situações, o Papa frisou que é Jesus o primeiro passo e “é um passo irreversível”, uma bússola que não deixa quem confia n’Ele perder-se. E convida os bispos colombianos a não silenciarem a voz d’Aquele que os chamou. A não se deixarem levar pelos elogios dos poderosos de turno mas, nos momentos de dificuldades,  a lutarem com Deus na oração, seiva vital de um bispo, “até que Ele vos abençoe” – disse-lhes. Feridos por Deus sereis “capazes de curar” – afirmou Bergoglio.
A condição para tornar visível este primeiro passo é ser os primeiros a amar, “é a prontidão” em se aproximar de Jesus” e a não medir-se com aqueles que querem ver os bispos como “uma casta de funcionários submetidos à ditadura do presente. Há que manter “o olhar sempre fixo na eternidade daquele que vos escolheu, prontos a receber o julgamento dos seus lábios”, sublinhou o Papa – que acrescentou:
Na complexidade do rosto desta Igreja colombiana, é muito importante preservar a singularidade das suas diferentes e legítimas forças, as sensibilidades pastorais, as peculiaridades regionais, as memórias históricas, as riquezas das peculiares experiencias eclesiais. O Pentecostes permite que todos escutem na própria língua. Por isso, procurai com perseverança a comunhão entre vós. Nunca vos caseis  de a construir através do diálogo franco e fraterno, condenando como uma peste os projectos escondidos”.
Francisco encorajou cada um dos Bispos a ser solicito em dar o primeiro passo, em deixar-se enriquecer com aquilo que o outro pode oferecer, a ter em conta o valor fundamental da mensagem evangelizadora das Províncias Eclesiásticas, a não se contentar com o medíocre ou o mínimo.
Recomendou igualmente a reservar “uma sensibilidade particular às raízes afro-colombianas (…) que tão generosamente têm contribuído para desenhar o rosto (…) da Colômbia”
O Papa convidou os bispos colombianos a não terem medo de tocar, com humildade, e sem pretensão de protagonismo, mas com coração indiviso, a carne ferida da sua história e da história do povo, cientes de que nada, senão o Senhor, deve submeter a sua alma como Pastores.
A Colômbia precisa da vossa visão, própria de Bispos, a fim de a apoiar na coragem do primeiro passo para a paz definitiva, a reconciliação, o repúdio da violência como método, a superação das desigualdades que são a raiz de tantos sofrimentos, a renúncia ao caminho fácil mas sem saída da corrupção, a consolidação paciente e perseverante da res publica que requer a superação da miséria e da desigualdade”.
Uma “tarefa árdua mas irrenunciável” faz notar o Papa dizendo que “os caminhos são íngremes e as soluções não são óbvias”, mas de Deus e da cruz do seu Filho, vem a força.
Francisco citou depois Gabriel Garcia Marques para dizer que começar uma guerra é muito mais fácil que terminá-la, pois, acrescentou “A guerra deriva de quanto há de mais baixo no coração do homem” enquanto que “a paz impele-nos a ser maiores do que nós mesmos”.
Garcia Marquez resumia a guerra numa palavra: o medo. Mas o que Francisco pretende é encorajar os colombianos, os Bispos a “continuar a acreditar que se poder agir doutra maneira”. E como pessoas que conhecem as deformações do rosto da Colômbia e guardiões dos elementos fundamentais que o tornam uno, apesar das lacerações, o Papa recordou aos bispos:
A Colômbia precisa de vós para se reconhecer no seu verdadeiro rosto cheio de esperança não obstante as suas imperfeições”.
E encorajou-os a fazerem de cada uma das suas igrejas “um ventre de luz, capaz de gerar, mesmo sofrendo a pobreza, as novas criaturas” de que a Colômbia precisa. Exortou-os a se refugiarem na humildade do povo para poderem ver os seus secretos recursos humanos e de fé, a escutarem a sua humanidade que brama pela dignidade que só do Ressuscitado pode vir.
A missão peculiar do Pastor foi trazida ao de cima pelo Papa ao recordar aos Bispos que não são nem técnicos, nem políticos, mas sim pastores e que a Cristo é a palavra de reconciliação escrita nos seus corações.
À Igreja, recomendou-lhes, não servem alianças com uma parte ou com outra, mas sim a liberdade de falar ao coração de todos, a liberdade de pronunciar a Palavra de Deus. E é nisto que têm a possibilidade de sustentar uma inversão de rota.
Peço-vos - continuou o Papa – para manterdes o olhar sempre fixo no homem concreto, feito de carne e osso, amado por Deus.
Por fim Francisco falou de alguns anseios que traz no coração como a família, a vida, os jovens, os sacerdotes, as vocações, os fieis leigos, a formação. E disse não levar receitas nem uma lista de tarefas a deixar aos bispos. Exortou-os, todavia, a conservar a serenidade, conscientes de que o maligno semeia joio, mas a terem a paciência do Senhor do campo, confiando na boa qualidade das suas sementes e na força oculta do fermento do Senhor. “A força humilde do Evangelho” é o que de mais forte podeis oferecer às famílias colombianas – afirmou.
Em relação aos jovens, o Papa recomendou os bispos a fazerem com que se sintam amados; aos sacerdotes que sintam ter no Bispo um pai, que sabe também cuidar da sua formação. A vida dos consagrados e consagradas – recomendou - o Papa não deve ser transcurada e o mesmo cuidado formativo deve ser manifestado também em relação aos fieis leigos.
E o Papa não deixou de lado os desafios da Igreja na Amazónia, parte essencial da biodiversidade da Colômbia e, perguntando-se se ainda somos capazes de aprender dos indígenas da Amazónia a sacralidade da vida, o respeito pela natureza, a consciência de que a razão instrumental não é suficiente para colmatar a vida do homem. E exortou toda a Igreja colombiana a consolidar o rosto amazónico, mediante o apoio missionário de todas as dioceses e de todo o clero.
E concluiu convidando a suplicar o Senhor – por intermédio de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá – a graça da verdadeira Renovação por que aspira a Colômbia.
(DA)
Rádio Vaticano 

Para ser a Nossa Mãe...

O próprio Senhor vos dará um sinal.Eis que uma virgem conceberá e dará á luz um filho e que porá o nome de Emanuel(Is 7, 14)

Dia 8 de Setembro exatamente nove messes após a comemoração da Imaculada Conceição de Maria, a Igreja celebra a natividade de Nossa Senhora. Essa celebração acontece desde o inicio do cristianismo e recorda um momento  muito importante para da história da salvação. É a manifestação cristã de que Maria veio para ligar a Trindade Santa á humanidade.
Para ressaltar a importância dessa celebração, o Padre Antônio Vieira escreveu seu famoso sermão do nascimento da mãe de Deus. Com uma pequena adequação para os dias atuais, foram suas palavras:

 “Pergunte aos enfermos  para que nasce essa celestial menina, e eles dirão que nasce para ser a Senhora da Saúde; os pobres sem acesso aos medicamentos dirão  que nasce Senhora dos Remédios; os desabrigados e os moradores de rua; os sem-teto e sem-terra dirão que nasce para ser a Senhora do Amparo.”

“Os desconsolados pela perda de entes queridos e as mães que perdem seus filhos para os vícios e prostituição dirão que nasce para ser a Senhora da Consolação.  Os Idosos e menores tristes e abatidos pelo abandono da sociedade e da família dirão que nasce para ser a Senhora dos Prazeres”.

‘’Os desesperados pais de família desempregados e os moradores de Arias de risco dirão que nasce para ser a Senhora da Esperança; os afastados de Deus, os cegos na fé que não conseguem enxergar o amor e a misericórdia divina em sua vidas dirão que nasce para ser a Rainha da Luz”.

“Os que vivem em  conflito familiar, religioso ou radical  dirão que nasce ser a Senhora da Paz; os desnorteados e sem - rumo  dirão que nasce para ser a Senhora da Guia; os prisioneiros amontoados em nossas cadeias públicas dirão que nasce para ser a Senhora do Livramento;

‘’Os oprimidos e marginalizados dirão que nasce a Senhora da vitória; os navegantes, caminhoneiros e famílias inteiras, á mercê de estradas mal- cuidadas  e motoristas alcoolizados, dirão que nasce para ser a Senhora da Boa Viagem; os agonizantes nos corredores dos hospitais dirão que nasce para ser a Senhora da Boa Morte’’.

Todos os pegadores dirão que nasce para ser a Senhora das Graças; todos os devotos dirão que nasce para ser a Senhora da glória”.
‘’E, se todas essas vozes se unissem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria,a  Mãe de Jesus!” 


Texto de Jorge Lorente  

Fonte revista O Mílite 

Os títulos da Realeza de Maria


A Mãe do Rei
Os títulos pelos quais podemos chamar Nossa Senhora de Rainha, são os mesmos deCristo.
Na ordem sobrenatural a graça coloca Maria tão acima de toda criatura, que não pode deixar de ser a Rainha natural do mundo (incluídos homens e Anjos)
A isto, porém, deve se acrescentar, como sempre, o título jurídico de sua maternidade, fonte de todas suas prerrogativas e funções. Maria é a Mãe do Rei e deve desfrutar das honras de Rainha-Mãe.
E ainda nos deteremos numa ideia: Cristo é Rei graças a Maria.
arte medieval e, sobretudo, a bizantina, apresenta as figuras do Criador e do Pai com o atributo real da coroa. Com isso significa o poder. Porém, temos ouvido que se diga alguma vez: o Pai, Rei, o Filho ou o Espírito Santo Reis? Não. Este título se reservou a Cristo.
Por que? Porque é um absurdo jurídico ser rei de um país sem participar de sua nacionalidade. É certo que, por exceção, foram eleitos monarcas oriundos do estrangeiro, mas todos eles se nacionalizaram previamente no país em que haviam de reinar. Para ser rei dos espanhóis há que ser espanhol, para sê-lo dos franceses cumpre ser francês. Para ser rei dos homens, há que ser homem. Por isso não se diz nunca do Espírito Santo que seja Rei, e o mesmo Verbo necessitou fazer-se homem e chamar-se Cristo – nome do Verbo humanado – para receber tal título.
Ora Maria é a fonte da humanidade de Cristo, logo a Ela se deve o fato de uma das condições necessárias para o reinado de Cristo. (…)
Rainha por direito de conquista
Recordemos o segundo título de Cristo. Maria foi associada à Redenção.
A beatíssima Virgem foi tomada para auxílio na salvação e consorte no reino, pois só Ela compadeceu com Ele. (…) E, portanto, só Ela obteve o consórcio no reino (cfr. Santo Alberto Magno, Mariale, resp. ad qq. 26-43)
Se a maternidade divina é o fundamento radical da realeza mariana, sua compaixão é o mérito da mesma.
Pensamento semelhante é o de outro ilustre mariólogo:
Quando ouvimos Jesus prometer a seus apóstolos de os fazer – porque O seguiram se serviram – poderosos em seu reino celeste (Mt. XIX, 27-28), pensamos que Aquela da qual Ele recebeu, do berço à sepultura, do presépio do Calvário, um incomparável auxílio, em recompensa deve ser o primeiro personagem e a mais alta influência, depois d’Ele, nos céus. Compreendemos que Ela seja glorificada e exaltada com Ele, na proporção em que com Ele foi humilhada e martirizada. (…)PerpetuoSocorro
Maria participou estreitissimamente e de maneira muito especial, nas grandezas e nas humilhações de Jesus Cristo, para não ser com Ele coroada de glória e de honra, elevada com Ele acima dos próprios Anjos, partilhando sua soberania, Rainha-Mãe ao lado do Rei seu Filho.
De estirpe real
O outro título PE ainda a Santíssima Virgem verdadeiramente Rainha: pertence Ela a uma raça de reis. Ouçamos o Pe. Jourdain:
Abundam, neste sentido, os mais autênticos testemunhos. A começar pelo historiógrafo divino (São Mateus, I, 1-17): Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão. Abraão era rei; foi o que deu origem a uma longa sequência de monarcas. Depois Isaac e Jacob até David, foram reis de fato embora não portassem este nome. A partir de David, houve numerosos reis de nome e de fato: reis escolhidos por Deus e postos por Ele sobre o trono. O próprio Abraão recebeu o cetro de suas mãos. As seguintes palavras do Gênese (XII, 2) exprimem bem a transmissão do poder soberano: “Farei sair de vós um grande povo e Eu o abençoarei. Tornarei vosso nome célebre e sereis abençoado.”
David e seus sucessores eram reis, não se o pode contestar. Ora, a Bem-aventurada Virgem Maria descende de David, como nos diz São Mateus. Ele não é o único a dizê-lo. Isaías profeta (XI, 1), igualmente o proclama, quando diz: Sairá um rebento do talo de Jessé, par de David, e uma flor nascerá de sua raiz. O rebento de Jessé é bem a gloriosíssima Virgem Maria; de sua raiz, quer dizer, de seu seio virginal, saiu Nosso Senhor Jesus Cristo,era flor divina de suave e incomparável odor. A Igreja admite esta interpretação, quando, no Ofício da Anunciação, ela aplica a Jesus e a Maria esse texto do Profeta. No Ofício da Natividade da Santíssima Virgem, encontramos essas palavras: “Natividade da gloriosa Virgem Maria, da raça de Abraão, descendente da trino de Judá e da célebre família de David. E pouco depois: “Maria, saída de uma raça real, brilha de um grande fulgor”. Donde podemos concluir, sem receio de engano, que Maria descende do santo Rei David, que Ela provém da estirpe de Jessé.
E Evangelho conforma os oráculos dos Profetas e os ensinamentos da Igreja Católica. As duas genealogias de Nosso Senhor, das quais uma pelo menos é a de Maria, remontam a David e O fazem descender deste Rei. Ora, não era suficiente, para que Jesus fosse efetivamente o Filho de David, que José pertencesse a esta família. Cumpria, sobretudo, e era absolutamente indispensável que Maria descendesse, como Ele, do Santo Rei, pois somente d’Ela tomou Jesus sua humanidade, e só Ela Lhe podia transmitir os direitos de David ao mesmo tempo que seu sangue real.
A ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉUOração a Maria Rainha
Na solene cerimônia da proclamação da Realeza de Maria, no dia 1 de Novembro de 1954, o Papa Pio XII formulou a seguinte oração (concedendo quinhentos dias de indulgência, todas as vezes que recitada devotamente).
Das entranhas desta terra de lágrimas, em que a humanidade sofredora penosamente se arrasta; entre as vagas deste nosso mar perenemente agitado pelos ventos das paixões, elevamos os olhos a Vós, ó Maria, Mãe estremecida, para reconfortar-nos contemplando a vossa glória, e para aclamar-Vos Rainha e Senhora dos Céus e da Terra, Rainha e Senhora nossa.
Com legítimo orgulho de filhos queremos exaltar esta vossa realeza e reconhecê-la como a suma excelência de todo o vosso ser, ó dulcíssima e verdadeira Mãe d’Aquele que é Rei por direito próprio, por herança, por conquista.
Reinai, ó Mãe e Senhora, mostrando-nos o caminho da santidade, dirigindo-nos e assistindo-nos, a fim de que dele não nos afastemos jamais.
Do mesmo modo que exerceis no alto do Céu o vosso primado sobre as milícias dos Anjos, que Vos aclamam sua Soberana; sobre as legiões dos Santos, que se deleitam na contemplação da vossa fúlgida beleza; assim também reinai sobre todo o gênero humano, particularmente abrindo os caminhos da fé a quantos ainda não conhecem o vosso Divino Filho.
Reinai sobre a Igreja, que professa e celebra o vosso domínio e a Vós recorre como a refúgio seguro, em meio às calamidades dos nossos tempos. Mas reinai especialmente sobre aquela porção da Igreja que é perseguida e oprimida, dando-lhe a fortaleza para suportar as adversidades, a constância para não se dobrar sob as injustas pressões, a luz para não cair nas insídias do inimigo, a firmeza para resistir aos ataques a descoberto, e em todos os momentos a inquebrantável fidelidade ao vosso Reino.
Reinai sobre as inteligências, a fim de que busquem unicamente a verdade; sobre as vontades, a fim de que procurem somente o bem; sobre os corações, a fim de que amem exclusivamente o que Vós mesma amais.
Reinai sobre os indivíduos e sobre as famílias, assim como sobre as sociedades e as nações; sobre as assembleias dos poderosos, sobre os conselhos dos sábios, do mesmo modo que sobre as aspirações simples dos humildes.
Reinai nas ruas e nas praças, nas cidades e nas aldeias, nos vales e nos montes, no ar, terra e no mar.
E acatai a piedosa oração de quantos sabem que o vosso reino é reino de misericórdia, onde toda súplica encontra acolhida, toda dor conforto, toda desgraça alívio, toda enfermidade saúde, e onde como que a um simples aceno de vossas suavíssimas mãos, da própria morte ressurge sorridente a vida.
Concedei-nos que aqueles que agora em todas as partes do mundo Vos aclamam e reconhecem como Rainha e Senhora, possam um dia no Céu gozar da plenitude do vosso Reino, na visão de vosso Filho, que com o Padre e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Assim seja!
(Documentos Pontifícios, Vozes, 1955, n° 110, pp,. 23-24)
(CLÁ DIAS, JOÃO. Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado. Artpress. São Paulo, 1997, pp. 433-435)

08/09 – Natividade de Nossa Senhora

A celebração de hoje – lemos no trecho dos discursos de santo André de Creta proclamado no atual Ofício das leituras – honra a natividade da Mãe de Deus. Mas o verdadeiro significado e o fim deste evento é a encarnação do verbo. De fato Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, de Deus.” É este afinal o motivo pelo qual somente de Maria (além de João Batista e naturalmente Jesus Cristo) não é festejado só o nascimento para o céu, o que acontece com os outros santos, mas também a vinda a este mundo. Na realidade o maravilhoso neste nascimento não está no que narram com generosidade de detalhes e com ingenuidade os apócrifos, mas antes no significativo passo à frente que Deus dá na atuação do seu eterno desígnio de amor. Por isso a festa de hoje foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres, que tiraram suas conclusões da Bíblia e de sua sensibilidade e ardor poético. Leiamos algumas expressões do Segundo Sermão sobre a Natividade de Nossa Senhora de São Pedro Damião: “Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu portanto encarnar-se em Maria.” “Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Cada linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado? Naquele dia a glória de Deus desceu sobre o templo de Jerusalém sob forma de nuvem, que o obscureceu. O Senhor que faz brilhar o sol nos céus, para a sua morada entre nós escolheu a obscuridade (1Rs 8,10-12), disse Salomão na sua oração a Deus. Este mesmo templo estará repleto pelo próprio Deus, que vem para ser a luz dos povos.” “Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderíamos celebrá-la dignamente? Podemos narrar as façanhas heróicas de um mártir ou as virtudes de um santo, porque são humanas. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?”

Cléofas 

Papa encontra as autoridades e a sociedade civil colombiana

07/09/2017


Cidade do Vaticano (RV) -  Após o abraço ontem, quarta-feira, 6 de Setembro 2017, da imensa multidão ao longo do percurso que o levou do aeroporto à Nunciatura Apostólica, da capital colombiana de Bogotá, hoje quinta-feira, 7 de Setembro 2017, as 09,30 horas locais( 16,30 horas de Roma), Francisco teve o seu encontro com as autoridades, o Corpo diplomático e Representantes da sociedade civil na capital Bogotá. Após ter escutando um vibrante discurso de gratidão e de boas vindas proferido pelo Presidente colombiano Juan Manuel Santos, o Papa proferiu o seu discurso iniciando precisamente por agradecer o próprio Presidente Juan Manuel Santos.
 Saúdo cordialmente, disse o Santo Padre, o Senhor Presidente da Colômbia, Doutor Juan Manuel Santos, e agradeço-lhe pelo amável convite que me dirigiu para visitar esta Nação num momento particularmente importante da sua história.
Saúdo, prosseguiu o Papa, os membros do Governo da República e do Corpo Diplomático. E por vosso intermédio, Representantes da sociedade civil, quero saudar carinhosamente todo o povo colombiano, nestes primeiros momentos da minha Viagem Apostólica.
Venho à Colômbia seguindo os passos dos meus Predecessores – o Beato Paulo VI e São João Paulo II – e, como eles, move-me o desejo de partilhar com os meus irmãos colombianos o dom da fé, que ganhou raízes tão fortes nestas terras, e a esperança que palpita no coração de todos. Só assim, com fé e esperança, é possível superar as numerosas dificuldades do caminho e construir um país que seja pátria e casa para todos os colombianos.
A Colômbia, recordou Francisco, é uma nação abençoada de muitas maneiras. A sua natureza generosa não só permite a admiração da sua beleza, mas convida também a respeitar cuidadosamente a sua biodiversidade. A Colômbia é o segundo país do mundo em biodiversidade e, percorrendo-o, pode-se saborear e ver como foi bom o Senhor (cf. Sal 33, 9) ao presentear-vos com uma variedade tão grande de flora e fauna nas vossas florestas fluviais, nos vossos páramos, no Chocó, nos penhascos de Cali ou nas montanhas como as da Macarena e em tantos outros lugares.
 Igualmente exuberante, sublinhou o Papa, é a sua cultura; e, mais importante, a Colômbia é rica pela qualidade humana das suas populações, homens e mulheres de espírito acolhedor e gentil; pessoas tenazes e corajosas na superação dos obstáculos.
Este encontro, prosseguiu o Pontífice, dá-me a oportunidade de vos manifestar o meu apreço pelos esforços feitos, durante os últimos decénios, para pôr termo à violência armada e encontrar caminhos de reconciliação. Sem dúvida, neste último ano, progrediu-se de modo particular; e os passos dados fazem crescer a esperança, na convicção de que a busca da paz é uma obra sempre em aberto, uma tarefa que não dá tréguas e exige o compromisso de todos. Uma obra que nos pede para não esmorecermos no esforço para construir a unidade da nação e – apesar dos obstáculos, das diferenças e das diversas abordagens sobre o modo como conseguir a convivência pacífica – persistirmos na labuta por favorecer a cultura do encontro que exige que, no centro de toda a acção política, social e económica, se coloque a pessoa humana, a sua sublime dignidade e o respeito pelo bem comum.
Que este esforço, advertiu Francisco, nos faça esquivar de toda a tentação de vingança e busca de interesses apenas particulares e a curto prazo. Quanto mais difícil for o caminho que conduz à paz e ao bom entendimento, tanto mais esforço havemos de fazer para reconhecer o outro, sanar as feridas e construir pontes, para estreitar laços e ajudarmo-nos uns aos outros (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 67).
Assim recita o lema deste país: «Liberdade e Ordem». Nestas duas palavras, está compendiada toda uma lição. Os cidadãos devem ser valorizados na sua liberdade e protegidos por uma ordem estável. Não é a lei do mais forte, mas a força da lei (a lei que é aprovada por todos) que rege a convivência pacífica. São necessárias leis justas que possam garantir esta harmonia e ajudar a superar os conflitos que por decénios dilaceraram esta nação; leis que não nascem duma exigência pragmática de ordenar a sociedade, mas do desejo de resolver as causas estruturais da pobreza que geram exclusão e violência. Só assim é possível curar duma mazela que torna frágil e indigna a sociedade deixando-a sempre à mercê de novas crises. Não esqueçamos que a desigualdade é a raiz dos males sociais (cf. ibid., 202),adverte o Santo Padre.
Nesta perspectiva, prosseguiu o Papa, encorajo-vos a deter o olhar em todos aqueles que hoje são excluídos e marginalizados pela sociedade, naqueles que não contam para a maioria, são desprezados e postos de lado. Todos somos necessários para criar e formar a sociedade. Esta não é feita apenas com alguns de «sangue puro», mas com todos. E aqui está a grandeza e beleza dum país: no facto de todos terem lugar e todos serem importantes. Na diversidade, está a riqueza. Penso, acrescentou o Pontífice, naquela primeira viagem de São Pedro Claver desde Cartagena até Bogotá sulcando o [rio] Magdalena: a sua maravilha é a nossa. Ontem e hoje, fixamos o olhar nas diferentes etnias e nos habitantes das áreas mais remotas, nos camponeses. Fixemos o olhar nos mais frágeis, naqueles que são explorados e maltratados, naqueles que não têm voz, porque foram privados dela, não lha concedendo ou não lha reconhecendo. Fixemos o olhar também, disse Francisco, na mulher, na sua contribuição, no seu talento, no seu ser «mãe» nas múltiplas tarefas. A Colômbia precisa da participação de todos, para se abrir ao futuro com esperança.
Neste sentido e perante todos estes desafios, o Papa sublinha a missão da Igreja: fiel à sua missão, recordou Francisco, a Igreja está comprometida com a paz, a justiça e o bem comum. Tem consciência de que os princípios evangélicos constituem uma dimensão significativa do tecido social colombiano e, consequentemente, podem contribuir muito para o crescimento do país; em particular, o respeito sagrado pela vida humana, sobretudo a mais frágil e indefesa, é uma pedra angular na construção duma sociedade livre da violência. Além disso, acrescentou, não podemos deixar de destacar a importância social da família, sonhada por Deus como o fruto do amor dos esposos, «o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros» (ibid., 66).
E, por favor, peço-vos que escuteis os pobres, os que sofrem. Fixai-os nos olhos e deixai-vos interpelar incessantemente pelos seus rostos sulcados de sofrimento e pelas suas mãos suplicantes. Deles se aprende autênticas lições de vida, de humanidade, de dignidade. Pois eles, que gemem acorrentados, compreendem de verdade – como diz o texto do vosso hino nacional – as palavras d’Aquele que morreu na cruz.
Senhoras e senhores, tendes diante de vós uma bela e nobre missão, que é ao mesmo tempo uma tarefa difícil, advertiu o Santo Padre, fazendo votos para que ressoe neste particular momento, no coração de cada colombiano, o espírito e as palavras do grande compatriota Gabriel García Márquez: «Contudo, perante a opressão, o saqueio e o abandono, a nossa resposta é a vida. Nem os dilúvios nem as pestes, nem as carestias nem os cataclismos, nem mesmo as guerras sem fim durante séculos e séculos conseguiram reduzir a vantagem tenaz da vida sobre a morte. Uma vantagem que cresce e progride». Então é possível – continua o escritor – «uma nova e arrebatadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir pelos outros até a forma de morrer, onde seja verdadeiramente certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, por fim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra» (Discurso por ocasião do Prémio Nobel, 1982).
O tempo gasto no ódio e na vingança, recordou Francisco, é tanto... A solidão de estar sempre uns contra os outros já se conta por decénios e aproxima-se dos cem anos; não queremos que qualquer tipo de violência restrinja ou suprima mais uma vida. E quis vir aqui, sublinhou o Santo Padre, para vos dizer que não estais sozinhos, que somos muitos aqueles que vos queremos acompanhar nesta etapa; esta viagem quer ser um incentivo para vós, uma contribuição que aplane de algum modo o caminho para a reconciliação e a paz.
Tenho-vos presente nas minhas orações. Rezo por vós, pelo presente e pelo futuro da Colômbia, concluiu dizendo o Papa Francisco.
Rádio Vaticano 

Papa está na Colômbia: convida jovens a não perder alegria e esperança

07/09/2017


O Papa Francisco já se encontra em território colombiano. O avião com a comitiva papal aterrou por volta das 16h15 locais, depois de cerca de 12 horas de voo.
Segundo informações oficiais do Vaticano, a aeronave mudou de rota para evitar o furacão Irma, de categoria 5, que está sobre o Caribe. Em vez de sobrevoar o território americano de Porto Rico, o avião se deslocou mais ao sul, entrando no espaço aéreo das ilhas de Barbados, Granada e Trinidad e Tobago.
Boas-vindas
No Aeroporto internacional El Dorado da capital, Bogotá, o Pontífice foi recebido pelo Presidente do País, Juan Carlos Santos, e sua esposa.
O Núncio Apostólico na Colômbia, Dom Ettore Balestreto, assim como alguns Bispos da Conferência Episcopal local também estavam presentes no aeroporto. Não obstante a longa viagem, o Pontífice estava sorridente, saudou inúmeras crianças, autoridades civis e políticas e assistiu a uma breve apresentação de artistas com danças e músicas do folclore colombiano.
Depois da austera cerimónia de boas-vindas, o Papa se transferiu à Nunciatura Apostólica de papamóvel. Milhares de pessoas acompanharam o trajecto de 15 quilómetros.
À sua chegada, no exterior da representação diplomática da Santa Sé, Francisco encontrou um grupo de fiéis que o esperava e que executou canções e danças tradicionais. Entre eles, algumas crianças e meninos vindos de situações da rua, droga e desconforto. Oferecem ao Pontífice, além de uma "ruana colombiana", o típico poncho local, a sua alegria. Francis os exorta a "nunca perdê-la", juntamente com a esperança: que ninguém - acrescenta o Papa - "vos engana nem vos roube a esperança”.
Sentimentos, alegria e esperança, expressos também pelo presidente Santos numa declaração à imprensa no fim do dia, na qual destaca que este é o "momento para construir a paz”.
Evento histórico
Os media locais analisam a visita do Pontífice como um evento “histórico” depois de mais de 50 anos de guerra, para além da tradição religiosa, mas “fundamental pela influência política do Papa na consolidação da paz no País”. A Colômbia não recebia a visita de um Papa há 31 anos, desde que João Paulo II visitou o País em 1986.
Segundo estatísticas do Anuário Estatístico da Igreja, mais de 45 dos 48 milhões de colombianos se declaram católicos.

      Rádio Vaticano 

    Papa Francisco: na Colômbia em nome da reconciliação e paz

    06/09/2017


    O Papa Francisco iniciou a sua 20ª viagem internacional que o levará à Colômbia. Num Tweet escreve: "Queridos amigos, por favor, rezai por mim e por toda a Colômbia onde irei para uma viagem de reconciliação e paz"
    O Pontífice embarcou na manhã desta quarta-feira, dia 6 de setembro, às 11.13 hora local, e a sua chegada está prevista em Bogotá às 18.30 horas locais da Colômbia.
    Na breve cerimónia de boas-vindas no aeroporto o Papa será acolhido pelo Presidente colombiano, Juan Manuel Santos Calderón. Também participam da cerimónia autoridades políticas e civis, bispos e cerca de mil fiéis.
    Após mais de 12 horas de voo, do aeroporto o Papa se transfere de papamóvel directamente à Nunciatura Apostólica. Ali, o aguarda um grupo de fiéis, com cantos e danças tradicionais. Na capela, oferecerá flores a Nossa Senhora, concluindo assim seu primeiro dia de viagem.
    Até domingo, estão previstos 12 discursos em quatro cidades diferentes: Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena.
    Reconciliação
    Em vídeo-mensagem divulgada na segunda-feira (04/09) para saudar o povo colombiano, o Papa afirmou que visita o país como peregrino de esperança e de paz, sob o lema “Façamos o primeiro passo”.
    “A paz é o que a Colômbia busca e para qual trabalha há muito tempo. Uma paz estável, duradoura, para que possamos nos ver e nos tratar como irmãos, não como inimigos. A paz nos recorda que somos todos filhos do mesmo Pai que nos ama e nos conforta.”
    O Pontífice declara-se “honrado” em visitar a Colômbia, “terra rica de história, cultura, fé, homens e mulheres que trabalharam com determinação e perseverança para torná-la um local em que reine a harmonia e a fraternidade, em que o Evangelho é conhecido e amado.
    Proteger o meio ambiente da exploração selvagem
    Para Francisco, o mundo de hoje necessita de conselheiros de paz e de diálogo e também a Igreja é chamada a esta tarefa, “para promover a reconciliação com o Senhor e com os irmãos, mas também a reconciliação com o meio ambiente, que é uma criação de Deus e que estamos explorando de modo selvagem”.
    Que esta visita, conclui o Papa, seja um abraço fraterno a cada colombiano. “Eu os abraço com afecto e peço ao Senhor que os abençoe, que proteja o país e lhe conceda a paz. E peço à Nossa Mãe, a Virgem Santa, que cuide de vocês. Não se esqueçam de rezar por mim. Obrigado e até logo.”
    Tradição
    Um dia antes de partir, como de costume, Francisco foi à Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante da imagem da Virgem Salus Populi Romani. Já na manhã desta quarta, ainda na sua residência na Casa Santa Marta, o Papa saudou duas famílias (no total de 10 pessoas) que tiveram suas casas destruídas por um incêndio na periferia de Roma durante o verão. As famílias estão recebendo um auxílio, em nome do Santo Padre, da Esmolaria Apostólica.

    Rádio Vaticano 

    Em que consiste a inspiração bíblica?

    “Para quem aborda as Escrituras Sagradas, uma das dificuldades que em primeiro lugar se põem, é a de admitir a divina inspiração dessas páginas. Como pode a Bíblia ser Palavra inspirada por Deus, quando apresenta tantas deficiências do ponto de vista científico e literário? Que vem a ser inspiração bíblica?”
    1. O que a inspiração bíblica não é
    Faz-se mister estabelecer clara distinção entre inspiração bíblica e dois conceitos afins:
    a) Revelação. Na Revelação religiosa, Deus comunica ao homem verdades que este nunca poderia ter aprendido, ou de fato nunca aprendeu, na escola de seu tempo. Sob o efeito da revelação divina, um arauto sagrado, por exemplo, prediz o futuro, desvenda mistérios, sem que se possa assinalar uma fonte humana para o seu saber. Tal foi, sem dúvida, o caso do profeta Isaías (7,14), quando predisse o parto virginal de Maria mais de sete séculos antes que ocorresse; falava então estritamente por efeito de revelação divina.
    Ora a inspiração bíblica não implica necessariamente revelação de verdades desconhecidas ao autor sagrado. Este, sob o dom da inspiração divina, conserva simplesmente o cabedal (rico ou pobre) de noções cientificas, históricas ou religiosas, que ele tenha adquirido na escola de sua gente; o Senhor Deus nada acrescenta a essas noções. — Eis o que por ora nos interessa relevar.
    Digamos ainda que inspiração bíblica também não é
    b) Assistência meramente extrínseca. Pela assistência meramente extrínseca, o Espírito Santo apenas preserva de erro o trabalho humano de um pregador ou escritor sagrado, de modo tal que o raciocínio e a formulação das ideias exprimam certamente a verdade.
    Ora a inspiração bíblica, se, de um lado, é menos do que revelação sobrenatural, de outro lado é mais do que assistência meramente extrínseca. Positivamente então, que vem a ser?
    2. O que é a inspiração bíblica
    2.1. Dizíamos que, pela inspiração bíblica, o Senhor nada revela ao autor sagrado. Deixa-o, portanto, desenvolver toda a atividade necessária para adquirir a verdade e formulá-la com clareza (e essa atividade foi assaz árdua para certos autores sagrados, como atestam os prólogos do Evangelho de S. Lucas 1,1-4 e do 2o livro dos Macabeus [2,26-31], assim como a conclusão do Eclesiastes [12,10-12]).
    Pois bem. Em se tratando da redação de um livro, a atividade do autor abrange três etapas:
    1) tarefa da inteligência, que procura angariar conhecimentos, investigar e estudar a matéria a ser explanada no livro;
    2) tarefa da vontade, que deve decidir (e decidir com firmeza e perseverança) redigir tal e tal livro, correspondente às verdades adquiridas pelo estudo prévio;
    3) tarefa das potências executivas do escritor, que deve conseguir o material (papiro, estilete, etc.) e manejá-lo (ou mandar manejá-lo por um secretário) de tal modo que se origine o livro como expressão fiel da verdade.
    Ora, no caso da inspiração bíblica, o Senhor Deus, de um lado, não dispensa esse trabalho humano nem, de outro lado, lhe assiste apenas de maneira extrínseca, mas (por assim dizer) penetra-o e percorre-o juntamente com o escritor sagrado. O que quer dizer:
    1) Ilumina, de maneira especial, a inteligência do hagiógrafo (= autor sagrado) a fim de que este, dentro do patrimônio cultural (religioso e profano) que possui, possa estabelecer uma seleção entre as noções que condizem com a mensagem de Deus e as que não condizem. Iluminado pelo Espírito Santo, o hagiógrafo vê, com a certeza do próprio Deus, serem tais e tais proposições (adquiridas na escola de seu tempo) aptas a exprimir os desígnios de Deus, ao passo que tais e tais outras não o seriam. Assim a inspiração bíblica, sem revelar coisa alguma, garante, não obstante, a autenticidade da mensagem.
    2) Além de iluminar a inteligência, o Espírito Santo fortalece a vontade do escritor humano, a fim de que este, sem vacilação nem infidelidade, queira escrever a verdade, e somente a verdade. — Enfim, pelo dom da inspiração bíblica
    3) O Senhor faz que a execução da obra não dê lugar a enganos e falhas que perverteriam a mensagem sagrada.
    Em consequência, o livro assim oriundo pode e deve ser dito, todo ele, obra do homem e simultaneamente obra de Deus; é mensagem ou palavra divina envolvida dentro dos moldes da palavra humana, numa antecipação e numa prolongação estupendas do mistério da Encarnação, que ocupa o centro da história do mundo.
    Voltando ao exemplo do parto virginal de Maria, lembramos que, além do profeta Isaías, também o Evangelista São Lucas (2,6s) nos refere o fato; contudo São Lucas o narrou depois de ocorrido… já não por efeito da revelação divina (revelação de que gozou o profeta Isaías para o poder consignar mais de sete séculos antes do acontecimento), mas unicamente sob o efeito da inspiração bíblica (pois S. Lucas foi informado do acontecimento por autênticos testemunhos humanos; o Senhor Deus, pelo dom da inspiração, apenas tornou evidente a S. Lucas que esses depoimentos eram fiéis à realidade histórica, podendo por conseguinte ser utilizados para a redação de uma página bíblica).
    2.2. Observe-se agora que a finalidade da inspiração bíblica é «comunicar mensagem religiosa, não doutrinas profanas (de astronomia, geologia, biologia, etc.)». Contudo, já que a mensagem religiosa se dirige a homens que vivem no tempo e no espaço, a Escritura Sagrada tem que aludir aos objetos do tempo e do espaço (objetos dos quais tratam as ciências profanas); alude a isso, porém, de maneira pré-científica, popular, servindo-se dos modos de falar aceitos entre os homens de determinada região e época. Tais modos de falar («o sol nasce, a baleia é um peixe, o morcego é uma ave…») não resistem sempre a um exame rigoroso da ciência; contudo não iludem o leitor, o qual sabe muito bem que a intenção do escritor não era ensinar ciências profanas, mas apenas chamar a atenção para tais objetos e mostrar o sentido religioso dos mesmos, a luz de Deus e da eternidade.

    Por conseguinte, distinga-se na Bíblia Sagrada entre
    a) objeto primário, diretamente visado pelo dom da inspiração: é a doutrina religiosa. Esta é exposta com veracidade absoluta e em termos perenes;
    b) objeto secundário, indiretamente apenas visado pela inspiração bíblica: são as noções de ciência profana. Estas vêm mencionadas segundo o modo de falar comum (não científico, mas também não enganador), modo de falar suficiente para levar a mente do leitor à apreensão de verdades superiores.
    Assim tenha-se em vista, por exemplo, a narrativa da criação do mundo em Gên 1,1-2,4… O autor sagrado não intencionava dizer em quantas etapas (dias ou eras) ela se deu nem em que ordem de sucessão apareceram os minerais, os vegetais e os animais sobre a face da terra. Essas noções todas são de pouca importância para a salvação eterna do homem; a pesquisa das mesmas ficou, por isto, entregue ao trabalho da inteligência humana no decorrer dos tempos… Mas o que o autor sagrado queria dizer é o que o mundo e o homem (assim e assim discriminados pelo vocabulário pré-científico de um judeu do séc. XIII a.C.) valem à luz de Deus e da eternidade. Donde se vê que não seria lícito querer deduzir da narrativa bíblica teses de cosmologia ou biologia (tais como «.o mundo foi feito em seis eras, o gênero humano tem cinco ou sete mil anos de existência, há evolução ou não há evolução dos seres vivos…»); mas apenas se depreenderão verdades de índole religiosa cujo valor paira acima de qualquer cultura ou vocabulário; tais verdades são:
    – o mundo não é eterno, mas começou no tempo;
    – há um Criador, Deus bom, de todas as coisas;
    – as criaturas não são más por si (nem mesmo as materiais), mas são obra boa de um Deus Bom;
    – não há, portanto, dualismo cósmico ou dois seres supremos (o Princípio Bom, da Luz, e o Princípio Mau, das Trevas) que disputem entre si a história do mundo;
    – o mal entrou no mundo, porque o homem abusou da liberdade que Deus lhe deu, desfazendo a harmonia inicial da criação.
    Tais verdades (e estas só) constituem a mensagem da Bíblia no tocante à origem do mundo; é sobre elas que recai diretamente o dom da inspiração bíblica; as proposições de ordem profana ligadas com tais verdades têm na Escritura significado relativo, isto é, destinam-se a ser veículo (ou vestiário inteligível à luz da mentalidade do povo de Israel antigo) que não deve deter a atenção do leitor e, sim, levá-lo ao entendimento da mensagem religiosa. Cf. «P.R.» 26/1960, qu. 4.
    Na Bíblia, portanto, os meios ou veículos de expressão podem ter sua «moda», podem ter perdido seu uso na linguagem moderna, não, porém, as proposições religiosas assim expressas, as quais são eternas.
    2.3. O conceito de inspiração bíblica é bem ilustrado pela analogia do homem que, com um pedaço de giz, escreve sobre o quadro-negro. O efeito produzido na pedra se deve atribuir tanto ao escritor como ao seu instrumento; um sem o outro não o produziria. E nesse efeito encontram-se inevitàvelmente os vestígios de um e outro agente: ao homem se devem atribuir os pensamentos expressos, ao passo que ao giz se deve reduzir a forma visível dos mesmos na pedra (cor, grossura, certa graciosidade, etc.); um só pensamento pode mesmo tomar configurações bem diversas conforme os diversos tipos de giz usados. Analogamente se relacionam Deus e o hagiógrafo na composição dos livros sagrados: as ideias ensinadas pela obra provêm primariamente de Deus, Autor principal da Bíblia; todavia a forma literária, a veste, que serve para exprimir tais ideias, é condicionada pelo hagiógrafo; o que quer dizer: fica subordinada à educação e às categorias culturais de um escritor humano; mais precisamente :… de um judeu que viveu no Oriente há dois ou três milênios atrás, ignorando muita coisa das ciências e das artes que hoje em dia se conhecem, possuindo, não obstante, sua cultura própria e não desprezível. E note-se que cada hagiógrafo, como indivíduo, deu os seus pressupostos pessoais, o seu cabedal, rico ou pobre, de cultura humana, para exprimir a verdade divina na Bíblia.
    Assim o profeta Isaias deu o seu ânimo nobre e culto de cortesão dos reis de Judá em Jerusalém; o profeta Jeremias deu a sua têmpera afetiva e sofredora; o profeta Amós, sua Índole de pastor de ovelhas, rústico amigo das cenas da natureza; o Apóstolo São João, a sua mente contemplativa; São Paulo, o seu caráter de mestre e polemista ardoroso, etc.
    «Em vista da redação dos livros sagrados, Deus se servia de todos os elementos que Lhe eram úteis; em particular, serviu-se das aptidões pessoais dos escritores. Não escolheu um emotivo para escrever os textos jurídicos do Pentateuco, nem um espírito meticuloso para compor o Cântico dos Cânticos. Todas as condições sociais, todas as culturas, todos os temperamentos puderam assim ser aproveitados» (Robert-Feuillet, Introduction à Ia Bible I. 1929, 25).
    Destas considerações depreende-se que, na interpretação da Sagrada Escritura, é preciso discernir bem veste, forma literária, e o seu conteúdo, a fim de não se confundir a verdade infalível, divina, com a sua forma contingente de expressão. É mister, pois recorrer às leis de literatura dos antigos povos, a fim de se perceber com exatidão como falavam e apurar o que o hagiógrafo, em nome de Deus, queria dizer na Bíblia. Tenha-se por princípio firme que somente quando entendidas no sentido intencionado pelo autor sagrado (não, pois, como nós, modernos, as poderíamos entender numa leitura superficial) é que as afirmações da Sagrada Escritura são isentas de erro.
    Eis a advertência de Pio XII:
    «Com todo o esmero, recorrendo aos resultados das mais recentes pesquisas científicas, procure o exegeta averiguar o caráter pessoal e as circunstâncias de vida do escritor sagrado; examine a época em que viveu, quais as fontes orais ou escritas que tenha utilizado, quais os modos de expressão de que se tenha servido. Assim poderá o exegeta reconhecer adequadamente quem foi o hagiógrafo e o que intencionou exprimir mediante os seus escritos» (Ene. «Divino afflante Spiritu» n* 19).
    Voltemo-nos agora para a consideração de algumas importantes
    3. Consequências da inspiração bíblica
    De quanto foi até aqui dito, decorrem quatro corolários importantes:
    1) Na Sagrada Escritura, existem gêneros literários diversos.
    Que se entende por esta expressão?
    «Gênero literário» é o conjunto de regras de estilo e vocabulário a que os homens de determinada época ou região costumam obedecer quando querem escrever sobre certo assunto. Assim há o gênero literário do jurista (estilo muito conciso, evitando figuras e termos ambíguos), o do historiador (estilo por vezes prolixo, minucioso, destituído de artifícios; vocabulário, por vezes, popular, adaptado ao modo de falar dos personagens da história), o do poeta (extremo oposto ao do jurista: liberdade de expressões, figuras literárias, frases inacabadas, intuições subjetivas…), etc. — É óbvio que cada um dos gêneros literários deve ser interpretado de modo consentâneo com as suas leis e propriedades: caso o leitor se descuide disto e queira ler um texto de poesia como lê uma página de leis arrisca-se a não perceber a mensagem que o texto quer exprimir.
    A propósito dos gêneros literários bíblicos, cf. «P.R.» 29/1960, qu. 5.
    Quem pela primeira vez propôs a existência de gêneros literários dentro da Sagrada Escritura, foram os críticos racionalistas do século passado, os quais mediante esse recurso visavam afirmar que na Bíblia existem mitos, lendas e outras narrativas que derrogam à autoridade e à dignidade do Livro Sagrado. Daí surgiu entre os exegetas católicos da primeira metade deste século a desconfiança para com a tendência a admitir gêneros literários na Bíblia. Hoje em dia, porém, principalmente após a encíclica «Divino afflante Spiritu» (1943) de Pio XII, vê-se claramente que a inspiração bíblica não exclui, antes mesmo supõe, o uso de gêneros literários; na verdade, os autores sagrados, mesmo sob o influxo da inspiração bíblica, não deixaram de escrever como os demais autores de sua época, adaptando-se, portanto, às convenções de estilo e vocabulário vigentes para cada assunto. A inspiração divina apenas garantiu que nada de indigno, grosseiro ou mentiroso (como lendas e mitos) entrasse na Escritura Sagrada.
    2) A inspiração bíblica se estende a todos os temas e mesmo a todos os vocábulos contidos na Sagrada Escritura.
    Nos últimos decênios mais de um exegeta restringia a inspiração bíblica aos trechos concernentes à fé e aos costumes; assuntos profanos, portanto, não teriam sido atingidos pelo influxo da inspiração.
    O Cardeal Newmann (+1890), por exemplo, julgava que a alusão ao cão que abanava a cauda, no livro de Tobias 11,9, ficava isenta da inspiração bíblica; da mesma forma, a menção do manto esquecido por São Paulo em Trôade e a ordem, dada a Timóteo, de o levar de novo ao Apóstolo (2 Tim 4,13)…
    Contudo tais distinções são vãs… Para prová-lo, sirvamo-nos do exemplo já introduzido neste artigo: numa palavra escrita com giz em quadro-negro (como também numa estátua burilada por um artista com cinzel em mármore) não há traço algum que se deva exclusivamente ao autor principal (o homem que escreve ou burila) ou ao instrumento apenas (giz, cinzel…); mas todo e qualquer aspecto da escritura ou da estátua se deve reduzir integralmente à ação conjunta da causa principal e do instrumento respectivo. Assim também na Sagrada Escritura qualquer passagem, no seu teor preciso, versando sobre tal ou tal tema, com tal ou tal vocabulário, se reduz por inteiro à ação conjunta de Deus e do autor sagrado; nada fica entregue apenas ao autor humano, como nada fica entregue ao instrumento apenas (o cinzel) na confecção de uma estátua.
    Então não há na Bíblia tema não inspirado ? — Não; não o há. A possível surpresa que esta conclusão talvez provoque, se esvanecerá desde que se tenha em vista que «inspirado» não quer dizer «revelado, comunicado por Deus ao autor humano de maneira extraordinária». «Tema inspirado» quer dizer, no caso, apenas: «tema que, considerado à luz de Deus, apareceu ao hagiógrafo como condizente com a mensagem divina da Bíblia». Assim entraram na Escritura muitos assuntos totalmente indiferentes ou neutros do ponto de vista religioso (árvores genealógicas, mapas geográficos, catálogos de povos, etc.); contudo não ficaram isentos do influxo da inspiração, pois tais assuntos estavam naturalmente ligados com outros temas (temas religiosos) na mente do autor sagrado; servem de vigas ou traves de conexão entre os assuntos religiosos da Bíblia; contribuem destarte para constituir o «arcabouço» da Escritura Sagrada.
    Em particular com referência às palavras mesmas da Bíblia, deve-se dizer que não há alguma que haja sido escolhida pelo autor humano apenas, sem a colaboração do Espírito Santo ou do dom da inspiração. Lembremo-nos, porém, mais uma vez de que «palavra inspirada», no caso, não quer dizer «palavra caída do céu» ou «palavra que prorrompe repentinamente no espírito do autor humano», mas apenas «palavra já contida no vocabulário do hagiógrafo, a qual com certeza infalível apareceu ao autor humano como veículo capaz de exprimir a mensagem divina». — Note-se bem que, segundo a psicologia humana, não há na mente verdades dissociadas de determinado vocabulário ou expressionismo; todas as nossas ideias, mesmo quando não proferidas com os lábios, estão sempre unidas a uma linguagem qualquer interior que as suporta e carrega. Por isto será vão ou contrário às leis da psicologia querer distinguir entre ideias e palavras na Bíblia, como se aquelas fossem objeto de inspiração, e estas não. Toda ideia, toda verdade existe no homem associada a palavras mentais, e a ação do Espírito Santo respeita este estado de coisas, apenas garantindo que por essa via não se introduzam erros de doutrina.
    3) Não há na Escritura Sagrada páginas «mais inspiradas» e páginas «menos inspiradas». A ação do Espírito Santo e de seu instrumento humano (o autor sagrado) se exerce igualmente em toda e qualquer página da Bíblia, como a ação do artista e a do cinzel se exercem igualmente na configuração de qualquer traço da estátua de mármore.
    4) À luz de quanto dissemos, também se percebe não ser incompatível com a inspiração a existência de fontes literárias da Bíblia. Os documentos-fontes terão sido redigidos independentemente da inspiração bíblica por quem quer que seja (judeu, pagão, na Palestina ou no estrangeiro); quando, porém, o autor bíblico resolveu utilizar tais documentos, transcrevendo-os ou adaptando-os de algum modo para redigir uma página da Escritura Sagrada, foi iluminado por Deus, a fim de distinguir com certeza infalível o que havia de verídico e consentâneo com a mensagem divina nessas fontes, e o que havia de não consentâneo ou não autêntico. O que o autor sagrado então tirou dessas fontes, passou a ser garantido pela prerrogativa da inspiração bíblica. Cf. «P. R.» 26/1960, qu. 5.
    Admitem-se também acréscimos sucessivamente feitos ao texto de determinados livros bíblicos; tais acréscimos, muitas vezes, passaram a constituir partes do conteúdo oficial ou canônico da Sagrada Escritura (assim, por exemplo, o «estatuto do Rei» em Dt 17,14-20 é pelos críticos modernos atribuído a um autor do tempo da monarquia em Israel, posterior a Moisés, embora o estatuto apareça num discurso de Moisés). À vista disso, deve-se dizer que todos os escritores que de algum modo concorreram para dar a configuração definitiva do texto bíblico canônico gozaram do dom da inspiração bíblica.
    As considerações propostas já bastam para evidenciar o sentido das «deficiências» do texto bíblico. Sem afetar de algum modo a verdade (o que é de importância capital), elas constituem a face humana da Palavra de Deus; são consequências do mistério da descida do Divino ao humano, mistério que culminou na Encarnação do Filho de Deus em Jesus Cristo. A Sagrada Escritura é, por isto, dita «um sacramental», ou seja, um sinal sensível que comunica a graça, estendendo os benefícios da Redenção a quem a use com fé e amor.
    Dom Estêvão Bettencourt (OSB)
    Revista Pergunte e Responderemos.Novembro.1961.n.47

    Via: Cléofas 

    Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...