Papa: "Como Abraão, esperar contra toda esperança"

29/03/2017


Cidade do Vaticano (RV) – A catequese proferida pelo Papa na audiência geral desta quarta-feira (29/03) foi inspirada no episódio narrado por Paulo na Carta aos Romanos. Segundo Francisco, este trecho é um ‘grande dom’, porque mostra Abraão como ‘pai da esperança’ e preanuncia a Ressurreição: a vida nova que vence o mal e até a morte.


“Abraão não vacilou na fé, apesar de ver o seu físico desvigorado por sua idade e considerando o útero de Sara já incapaz de conceber”, diz o trecho lido em várias línguas aos 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro.
O Apóstolo nos ensina que somos chamados a viver esta experiência, a ‘esperar contra toda esperança’; a acreditar no Deus que salva, que chama à vida e nos tira do desespero e da morte. “Que aquele hino a Deus, que liberta e regenera, se torne profecia para nós”, disse o Papa, prosseguindo:
“Deus ‘ressuscitou dos mortos a Jesus’ para que nós também possamos passar Nele da morte à vida. Pode-se bem dizer que Abraão  se tornou ‘pai de muitos povos’, porque resplandece como o anúncio de uma nova humanidade, resgatada por Cristo do pecado e conduzida para sempre ao abraço do amor de Deus”. 

A esperança cristã vai além da esperança humana
Paulo nos ajuda a compreender a íntima relação entre fé e esperança. A esperança cristã não se baseia em raciocínios, previsões e garantias humanas; ela se manifesta quando não há mais nada em que esperar, exatamente como o fez Abraão ante sua morte iminente e a esterilidade de Sara, sua esposa. Era o fim para eles... não podiam ter filhos... mas Abraão acreditou, teve esperança”.
A grande esperança se fundamenta na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Não se baseia em nossa palavra, mas na Palavra de Deus, explicou Francisco à multidão. 
“E é neste sentido que somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que mesmo diante da evidencia de uma realidade que o levaria à morte, confia em Deus, plenamente convencido de que Ele tem poder para cumprir o que prometeu”. 
Improvisando, a pergunta aos fiéis
Dirigindo-se à Praça, o Papa perguntou aos fiéis: “Estamos convencidos realmente de que Deus nos quer bem? Que ele pode cumprir o que prometeu? Qual seria o seu preço? Abrir o coração! A força de Deus ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração á fé... e Ele fará o resto!”.
“Eis, portanto, o paradoxo e ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais elevado, da nossa esperança! Ela é fundada em uma promessa que do ponto de vista humano parece ser incerta e imprevisível, mas que se manifesta até mesmo diante da morte, quando quem a promete é o Deus da Ressurreição e da vida”.
Firmes na esperança
“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor a graça de permanecer firmes não apenas em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus. Assim, a nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”. 
O Papa encerrou o encontro concedendo a bênção aos fiéis 
Rádio Vaticano 

29/3 – São Constantino

O santo de hoje, nos chama a atenção pela sua radicalidade na vivência do Evangelho, já que, de rei, nada comprometido com Jesus, passou a ser um santo sacerdote da Igreja de Cristo. São Constantino era rei de Cornualha, região da Inglaterra, casado com a filha do rei da Bretanha, até que abandonou os compromissos com a esposa e foi se aventurar nos conflitos armados. Semelhante a São Paulo, Constantino “caiu do cavalo” e converteu-se ao Cristianismo. Recebeu o Batismo e foi viver num mosteiro irlandês, com o firme propósito de santidade, ou seja, optou pela mais linda e profunda aventura humana e divina.
Empenhado na vida monástica, despertou-lhe o dom para o sacerdócio missionário, tanto que, juntamente a São Columba, saiu a evangelizar com grande ardor pela Inglaterra, onde chegaram a construir vários conventos para formar outros monges na missão. Constantino gastou toda sua vida para testemunhar o reino de Deus, até que foi atacado no ano de 598 por fanáticos pagãos que tiraram-lhe a vida, mas não a Vida Eterna.
São Constantino, rogai por nós!

Cléofas 

Papa na missa da manhã: "Viver a vida assim como ela é; a preguiça paralisa"

28/03/2017


Cidade do Vaticano (RV) – O Evangelho do dia, que narra o episódio do paralítico curado por Jesus, foi o centro da homilia do Papa na missa celebrada na manhã desta terça-feira (28/03), na Casa Santa Marta.
Um homem que estava doente havia trinta e oito anos estava deitado na beira de uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. Muitos doentes ficavam ali deitados - cegos, coxos e paralíticos -, esperando que a água se movesse. Diziam que quando um anjo descia e movimentava a água da piscina, os primeiros doentes que entrassem, depois do borbulhar da água, ficavam curados de qualquer doença que tivessem.


Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: 'Quer ficar curado?'
“É belo, Jesus sempre nos diz ‘Quer ficar curado? Quer ser feliz? Quer melhorar a sua vida? Quer estar cheio do Espírito Santo?’... a palavra de Jesus... Todos os outros que estavam ali – doentes, cegos, paralíticos – disseram: ‘Sim, Senhor, sim!’. Mas aquele homem, estranho, respondeu a Jesus: ‘Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente’. Sua resposta é uma lamentação: ‘Veja, Senhor, como é ruim e injusta a vida comigo. Todos os outros podem entrar e se curar e eu tento há 38 anos, mas...’
“Este homem – observa o Papa – era como a árvore plantada nos braços de um rio - como diz o primeiro Salmo - ‘mas tinha as raízes secas’ e ‘as raízes não tocavam a água, não podiam extrair saúde das águas’”:
“Isto se entende pelo comportamento, pelas lamentações... sempre tentando dar a culpa ao outro: ‘Mas são os outros que vão antes de mim, eu sou um coitadinho que está aqui há 38 anos...”. Este é um pecado feio, o pecado da preguiça, que é pior do que ter o coração morno, bem pior. É viver, mas ‘viver sem vontade de ir avante, de fazer alguma coisa na vida; é perder a memória da alegria’. “Este homem não conhecia nem de nome a alegria, a havia perdido. Isto é pecado, é uma doença muito ruim”. ‘Mas eu estou bem assim, me acostumei... A vida foi injusta comigo...’. “Sente-se o ressentimento, a amargura do seu coração”.
Jesus não o repreende, mas lhe diz: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’. O paralítico se cura; mas era sábado, os Doutores da Lei lhe dizem que não lhe é permitido carregar a cama e lhe perguntam quem o havia curado naquele dia. ‘É contra a lei, este homem não é de Deus’. O Paralítico não tinha ainda agradecido Jesus, não lhe havia nem perguntado seu nome. “Levantou-se com a preguiça de quem vive porque o oxigênio é grátis”, disse o Papa.
“Daqueles que vivem sempre vendo que os outros são mais felizes e vivem na tristeza, esquecendo-se da alegria. A preguiça – explicou Francisco – é um pecado que paralisa, que nos deixa paralíticos, que não deixa caminhar. Hoje também o Senhor olha por todos nós; todos temos pecados, mas vendo este pecado, nos diz: ‘Levanta’”:
“Hoje o Senhor diz a cada um de nós: ‘Levanta, pega a tua vida como ela é: boa, ruim, como for, pegue-a e vá adiante. Não tenha medo, vai adiante, com a tua cama’. ‘Mas Senhor, não é o último modelo...’. ‘Vai avante! Com a cama ruim, mas avante! É a sua vida e a sua alegria!’ “Quer ser curado? – é a primeira pergunta que o Senhor nos faz hoje. ‘Sim, Senhor’. ‘Levanta’. E na antífona, no início da missa, havia aquele trecho tão bonito: ‘Vós, que tendes sede, vinde às águas – são grátis, não a pagamento – vinde e bebei com alegria’. E se dissermos ao Senhor ‘Sim, quero ser curado; sim, Senhor, ajuda-me porque quero me levantar’, saberemos como é a alegria da salvação”. 

Rádio Vaticano 

28/3 – São Guntrano

A santidade não escolhe pessoa, nem posição social, mas entra no coração aberto que quer viver somente para Deus, servindo os irmãos. Por isso, neste dia, contemplamos a vida de São Guntrano que, tocado pela graça, converteu-se, tornando-se o santo deste dia. A vida de Guntrano começou agitada, tanto na moral como política, isto devido à experiência com três esposas, ora sem filho, ora vendo os herdeiros morrerem crianças e politicamente tendo que enfrentar semi-bárbaros na região. São Guntrano assumiu como herdeiro um sobrinho seu, e providencialmente assumiu também um vida nova ao converter-se a Jesus e Sua Igreja. Devoto da Igreja, rezava e usava da humildade e obediência aos conselhos dos bispos, para assim governar com retidão e santidade o seu povo. São Guntrano, com 68 anos partiu feliz para a Igreja Triunfante.
São Guntrano, rogai por nós!

Cléofas 

São José: o homem do silêncio e da ação

Todos conhecemos a história da anunciação do Anjo a Maria e a sua resposta generosa. O Fiat, o sim de Maria, é para nós exemplo de como escutar e seguir a vontade de Deus. Mas hoje queremos voltar o nosso olhar para São José e lembrar que ele também recebeu uma anunciação do anjo, diante da qual às sagradas Escrituras não registraram uma resposta verbal, mas um simples e contundente “fez como o anjo do Senhor lhe ordenara” (Mt 1, 24). E assim, sem ter o registro de uma palavra sequer, conhecemos São José como o homem justo, que cumpriu em todos os momentos a vontade do Senhor.
Essa palavra, Justo, com o qual a Bíblia caracteriza São José, tem um significado profundo. Ela nos lembra de sua retidão moral, de sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial, como nos disse São João Paulo II em uma audiência geral do ano 2003. É interessante notar que o próprio Deus é qualificado de Justo muitas vezes no antigo testamento. Isso nos mostra o peso que essa palavra possui. E vemos essa justiça de José sendo expressada no silencio de suas muitas ações. Lembremos, por exemplo, o serviço que prestou de paternidade, a longa caminhada até Belém para o recenseamento, a circuncisão do Senhor (Era um dever religioso do pai essa prática), a imposição do nome de Jesus, sua apresentação no templo, etc.
Todos esses serviços, José prestou na humildade e no recolhimento de uma vida silenciosa. Na exortação apostólica redemptoris custos, João Paulo II diz que foi justamente esse silêncio que nos permitiu, ao longo dos anos, “captar perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o “justo” (Mt 1, 19). Quanto isso não pode nos ensinar. Parece até contraditório pensar, na época das redes sociais e da facilidade de comunicação que existe, que é em uma vida silenciosa, sem fazer muito barulho, que pode-se perceber o profundo de quem somos. Por outro lado, é fácil perceber que muitas vezes as redes sociais transmitem apenas uma pequena parcela daquilo que nossa vida realmente é.
Hoje em dia talvez valha mais o parecer bom do que o realmente ser bom. Em São José vemos justamente o contrário. Vemos uma pessoa sendo justa sem querer parecer justa. É fácil lembrar aqui daquela outra passagem bíblica na qual Jesus chama a atenção para os que fazem jejuns e se deixam ver de caras tristes para que outros percebam que estão jejuando, ou que fazem orações larguíssimas em praças públicas para que outros os vejam, ou ainda os que fazem caridade pelo mesmo motivo. Diz Jesus que todos eles já receberam a sua recompensa (que é o louvor dos homens). São José certamente não foi um desses, mas daqueles que oravam com a porta fechada e que ao darem com a mão direita, a mão esquerda não se inteirava. A recompensa destes será abundante no Reino de Deus.
Olhemos para São José e lembremos que assim como ele era o custódio da Sagrada Família, continua sendo o protetor da Igreja. Podemos recorrer a ele por ajuda em nossas necessidades espirituais e materiais confiantes de que com seu estilo silencioso sempre escutará as nossas preces e as colocará na presença de Deus.
Por : Ir João Antônio 
Fonte: Portal A12 

Jejum digital: uma alternativa para essa Quaresma

Foto: Shutterstock.



Vamos dar um tempo para pensar em como esse jejum alternativo pode ser uma boa ideia para crescer na nossa amizade com o Senhor e uma boa preparação para a sua Páscoa.
Agora que chegamos na Quaresma somos convidados pela Igreja a colocar os nossos corações já no final desse caminho de conversão, que é a Páscoa. De fato, a Quaresma não tem sentido nenhum se perdemos de vista o que nos move em primeiro lugar a qualquer tipo de penitência. E se isso que nos move é qualquer coisa que não seja o desejo de conversão, não estamos falando de uma autêntica Quaresma. Por isso podemos nos fazer uma pergunta simples que nos ajudará a viver bem esse tempo. O que tem me afastado de Jesus?
As respostas podem ser de diversos tipos. Mas considerando que a Internet em geral está cada vez mais presente na nossa vida, é bem razoável pensar que algumas vezes ela está ocupando um lugar que acaba ofuscando a presença de Deus na vida de cada um. Não porque ela seja algo ruim em si mesmo, mas simplesmente porque como pecadores que somos, acabamos por utilizá-la mal. Por isso, vamos dar um tempo para pensar em como esse jejum alternativo pode ser uma boa ideia para crescer na nossa amizade com o Senhor e uma boa preparação para a sua Páscoa.
 
"A Quaresma é esse tempo que se assemelha a uma caminhada no deserto, um grande retiro no qual preparamos melhor os nossos corações para receber Aquele que já habita em nós..."
Primeiro é preciso reconhecer os momentos em que a Internet acaba atrapalhando. Soa um pouco clichê, mas penso que é verdade. E é difícil encontrar pessoas que reconhecem estar um pouco viciadas nesse site, ou naquele aplicativo. Já repararam que, embora saibamos que existe esse problema, sempre nos encontramos com as poucas pessoas que sabem se controlar e que dizem “eu não estou viciado nisso”. Mas isso não é um problema aqui, porque somos nós mesmos que queremos viver uma boa Quaresma e a nossa consciência fica alerta quando fazemos aquela primeira pergunta e buscamos respondê-la com sinceridade.
Onde perdemos mais tempo? Em quais atividades digitais (seja em alguma página web, seja um aplicativo que usamos) percebo que perco o controle algumas vezes? Para mim, João, tem sido o Youtube. Vou vendo vídeos de canais do meu interesse e quando vejo, perco a hora para fazer alguma outra tarefa que tinha planejado. Mesmo que sejam vídeos bons, percebo que tiram a atenção daquilo que eu realmente gostaria de estar fazendo. É como aquela situação típica de sala de aula, na qual os alunos estão conversando e diante da “bronca” do professor eles respondem: “Estamos conversando sobre a matéria”. Sempre achei que fosse uma boa desculpa, mas não tira o fato de que se está fazendo algo que não se deve fazer no momento. Só que aqui o professor é a tua consciência, a voz de Deus na nossa alma. E ele está chamando para uma amizade mais profunda com Ele. E nós continuamente inventamos desculpas para continuar “conversando sobre a matéria”.
Talvez essa confissão ajude a que outros possam também dar-se o tempo de pensar na própria vida e naquilo que esteja atrapalhando um pouco a relação com Deus. A Quaresma, como sabemos todos, é esse tempo que se assemelha a uma caminhada no deserto, um grande retiro no qual preparamos melhor os nossos corações para receber Aquele que já habita em nós, mas que quer renovar essa presença. Se o mundo digital está, de alguma forma, atrapalhando a obra de Deus em nós, não percamos a oportunidade de purificar a maneira como utilizamos essa ferramenta que tem muito potencial para, pelo contrário, unir-nos ainda mais a Ele. Boa Quaresma e, se for o caso, jejum digital!

Por: Ir João Antônio 
Fonte: Portal A12 

Bispos do Canadá ao Papa: diálogo ecumênico para melhor convivência entre os povos

27/03/2017 



Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta segunda-feira (27), o Papa Francisco recebeu em visita ad Limina, no Vaticano, os bispos da Conferência Episcopal do Canadá Ocidental.

Muitos são os desafios sociais e as problemáticas pastorais para Igreja católica naquele país, nos últimos anos, um dos mais secularizados ao mundo e entre aqueles mais avançados na legitimidade de práticas controversas que interpelam questões éticas como a reprodução assistida, a clonagem humana, a eutanásia e o suicídio assistido.
O comprometimento dos bispos sobre tantas temáticas abertas é grande para levar a mensagem evangélica ao coração de cada pessoa. A Igreja canadense é assídua sobre argumentos como a paz no mundo, o desarmamento, o desenvolvimento sustentável e a proteção do ambiente, a justiça social, a defesa das populações indígenas, dos imigrantes e refugiados, de todos os excluídos da sociedade.
Entre os temas mais dolorosos levantados em questão durante o encontro com o Pontífice, aquele sobre os casos de abusos e maus tratos às crianças, ocorridos no passado e que a Igreja canadense reconheceu e pediu perdão.
Na audiência com o Papa, os bispos também abordaram o profícuo diálogo ecumênico e inter-religioso em defesa dos princípios da solidariedade e da convivência dos povos, visto o recente ataque à mesquita de Quebec e as medidas restritivas de migração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A população, de 35 milhões de habitantes, é um mosaico de povos de diversas origens, agrupados em duas áreas culturais e linguísticas, ligadas à sua colonização: o país é bilíngue e multicultural, com o inglês e o francês como línguas oficiais. Historicamente influenciada, 40% são batizados católicos, um outro terço é de protestantes; os muçulmanos são 2%, seguidos de hebreus, budistas e hindus com 1% cada um. O Canadá é o segundo maior país do mundo, superado apenas pela Rússia, e um dos mais desenvolvidos do planeta. (AC)
Rádio Vaticano 

27/3 – São Ruperto

Salisburgo é uma bela cidade austríaca, cuja fama está ligada com a do seu filho mais ilustre, Wolfgang Amadeus Mozart. Salisburgo significa cidade do sal. O seu primeiro bispo e padroeiro principal é representado com uma saleira na mão. É o único santo local festejado, nas regiões de língua alemã e na Irlanda, pois foi o modelo para os monges irlandeses. São Ruperto descendia dos rupertinos, uma importante família que dominava com o título de conde a região do médio e do alto Reno. Desta família nasceu também outro são Roberto (ou Ruperto) de Bingen, cuja vida foi escrita por santa Hildegarda. Os rupertinos eram parentes dos carolíngios e o centro de suas atividades era em Worms. Aí São Ruperto recebeu sua formação de cunho monástico irlandês. Em 700, como seus mestres, se sentiu impulsionado à pregação e ao testemunho monástico e foi à Baviera. Apoiado pelo conde Teodo de Baviera, fundou perto do lago Waller, a 10 km de Salisburgo, uma igreja dedicada a são Pedro.
O lugar, porém, não pareceu próprio para os fins de Ruperto que pediu ao conde outro terreno perto do rio Salzach, próximo à antiga cidade romana de Juvavum. O mosteiro que ali construiu, dedicado a são Pedro, é o mais antigo da Áustria e está ligado com o núcleo de Nova Salisburgo. Seu desenvolvimento deveu-se também à colaboração de doze conterrâneos seus. Desses, Cunialdo e Gislero foram honrados como santos. Perto do mosteiro de são Pedro surgiu um mosteiro feminino que foi confiado à direção da abadessa Erentrude, sobrinha do santo. Foi este punhado de corajosos que fez surgir a Nova Salisburgo. São Ruperto é justamente reconhecido como seu fundador. Ele morreu no dia da Páscoa, 27 de março de 718. Suas relíquias são conservadas na magnífica catedral de Salisburgo edificada no século XVII.

Cléofas 

26/3 – São Ludgero

Sao-Ludgero-227x300São Ludgero foi o primeiro bispo de Münster. Nasceu em 745, em Suescnom, na Frísia. Pertencia a uma família nobre. Naquela época o cristianismo havia saído das fronteiras do império romano e chegado à Alemanha. Nesta obra missionária que atingiu o máximo desenvolvimento com São Bonifácio, encontramos empenhado São Ludgero, discípulo de são Gregório e de Alcuíno de York. Depois da ordenação sacerdotal, recebida em Colônia em 777, Ludgero se dedicou à evangelização da região pagã da Frísia, onde São Bonifácio tinha sofrido o martírio. Os métodos usados por Carlos Magno para evangelizar e sujeitar este povo estavam muito pouco em sintonia com o espírito do Evangelho. Em 776, durante a primeira expedição, o monarca impôs o batismo a todos os guerreiros vencidos; mas a revolta de Widukindo foi acompanhada de uma apostasia geral. Ludgero teve de fugir e depois de parar em Roma, chegou ao Montecassino, onde vestiu o hábito monacal sem todavia emitir os votos religiosos.
A revolta de Widukindo foi reprimida em 784 e a repressão foi dura. Rejeitar o batismo ou quebrar o jejum quaresmal era passíveis de morte. Mas este regime de terror tornava odioso o cristianismo, que não obstante isso produziu bons frutos graças a alguns autênticos arautos do Evangelho como era o caso de são Ludgero. Carlos Magno foi procurá-lo em Montecassino, encarregando-o de retomar a missão na Frísia. Ofereceu-lhe o bispado vacante de Treves. O santo recusou. Em 795 fundou no território da Saxônia o mosteiro em volta do qual cresceu a atual cidade Münster. Construiu igrejas e escolas, fundou novas paróquias e as confiou aos sacerdotes que ele mesmo havia formado… Morreu no dia 26 de março de 809 e logo depois foi venerado como Santo.

Cleofas .

Papa no Angelus: também nós fomos iluminados: caminhar na luz

26/03/2017


26 de março de 2017, IV Domingo da Quaresma. Antes da oração mariana do Angelus, o Papa Francisco, dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro, comentou o Evangelho no centro do qual, disse, está Jesus e o cego de nascença. Cristo restitui-lhe a vista, explicou o Papa, primeiro misturando a terra com saliva, ungindo depois com ela os olhos do cego e dizendo-lhe em seguida para se  ir lavar na piscina de Siloé. O homem vai, se lava, e recupera a vista.
“Com este milagre Jesus se revela como luz do mundo; e o cego de nascença representa cada um de nós, que fomos criados para conhecer a Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, precisamos de uma luz nova, a da fé, que Jesus nos deu. De facto, aquele cego do Evangelho recuperando a vista se abre ao mistério de Cristo: se prostra perante Jesus, o ‘Filho do Homem’ e confessa: ‘Eu creio, Senhor!
Este episódio leva-nos a reflectir sobre a nossa fé em Cristo, Filho de Deus e também se refere ao baptismo, primeiro sacramento da fé e que nos faz "vir à luz", mediante o renascimento pela água e o Espírito Santo – explicou Francisco:
“O cego de nascença curado nos representa quando nós não nos apercebemos que Jesus é "a luz do mundo", quando olhamos para outro lado, quando  preferimos confiar em pequenas luzes, quando ziguezagueamos no escuro. O facto de que aquele cego não tem nome nos ajuda a espelhar-nos com o nosso rosto e o nosso nome na sua história”.
Na verdade, também nós fomos "iluminados" por Cristo no Baptismo – prosseguiu o Papa - e, portanto, somos chamados a comportar-nos como filhos da luz, o que exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e coisas segundo uma outra escala de valores, que vem de Deus, porque o Baptismo exige uma escolha firme e decidida de viver como filhos da luz, e caminhar  na luz.
E o que significa caminhar na luz? – se perguntou Francisco:
“Significa antes de tudo abandonar as luzes falsas: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito distorce a realidade e nos enche de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelo. Uma outra luz falsa, porque sedutora é ambígua, é a do interesse pessoal: se avaliamos as pessoas e coisas com base nos critérios de nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não fazemos a verdade nas relações e nas situações”.
Que Virgem Santa – concluiu o Papa - nos obtenha a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Baptismo, e esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e acções, para sermos também nós, a portadores de um raio da luz de Cristo.
Depois do Angelus, Francisco falou dos novos beatos da Espanha:
“Ontem em Almería (Espanha) foram beatificados José Álvarez-Benavides y de la Torre, e 114 companheiros mártires. Estes sacerdotes, religiosos e leigos foram testemunhas heróicas de Cristo e do seu Evangelho de paz e reconciliação fraterna. O seu exemplo e a sua intercessão sustentem o empenho da Igreja na construção da civilização do amor”.
E a propósito da sua visita pastoral, ontem, à diocese de Milão, Francisco acrescentou as seguintes palavras:
“E a propósito de Milão, quero agradecer o Cardeal Arcebispo e todo o povo de Milão pelo caloroso acolhimento de ontem. Verdadeiramente senti-me em casa. E isto por parte de todos: crentes e não-crentes. Muito obrigado queridos milaneses. Constatei que é verdade aquilo que se diz: ‘Em Milão se recebem as pessoas com o coração na mão!’”
A todos o Papa desejou um bom domingo pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele.
[Buon pranzo e arrivederci] “Bom almoço e até logo”. (BS)

Rádio Vaticano 
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