Porque que a Igreja está preocupada com a família?
Dom Lorenzo: A família é a instituição que fundamenta a sociedade e para a Igreja é também Igreja doméstica, onde batizados crescem, se educam e professam a fé. É a parti da família que se constroem as paróquias, as comunidades e as dioceses, e em geral a sociedade e as nações. Por isso a Igreja está interessada e quer que os pais exerçam sua sua própria missão de primeiros educadores na fé. O matrimônio constitui o fundamento da família e da sociedade. Usando as palavras do Papa Francisco, eu diria que "a família é o centro do amor", onde que todos se encontram e são acolhidos e amados com suas diferenças de personalidade e de talentos.
Quais as preocupações relevantes deste Sínodo?
O Instrumento de Trabalho, que é a síntese das respostas do Questionário do Documento Preparatório, revela um grande número de temas que serão discutidos. São assuntos referentes á necessidade de conhecer melhor o ensinamento da Igreja sobre o Matrimônio: de cuidar da preparação e do acompanhamento dos noivos e dos casais, de saber encontrar soluções pastorais que surgem da crise da fé, das diversas situações internas e externas das famílias, como a falta de comunicação, da relação entre os membros da família, dos problemas da fragmentação e desagregação, das violências e abusos, da pobreza, das migrações, do trabalho. Existe uma longa lista de problemas concernentes á estabilidade da família: separações, divórcios, educação dos filhos, e o fenômeno das uniões entre pessoas do mesmo sexo e respectivas adoções etc.
Quais as resoluções do Concilio Vaticano II sobre questões relativas á família ?
O Concílio deu um grande espaço ao tema do Matrimônio e da família. Bastaria lembrar a Constituição Gaudium et Spes, que lhe dedicou um capítulo inteiro da segunda parte do documento (46-52). Fundamental foi a afirmação de que o Matrimônio é "um pacto conjugal", superando o conceito de contrato, que permanece desde o ponto de vista jurídico, mas se releva mais o aspecto teológico.A família se constituí sobre um pacto entre homem e mulher, pessoas livres, conscientes,capazes de cumprir os oficios próprios do Matrimônio com a bênção de Deus. E é importante considerar que o Sínodo dos Bispos se ocupou da família na Assembleia Geral Ordinária em 1980, na qual João Paulo II emanou a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Famoliaris Consortio. Agora, após os 33 anos há a necessidade de retornar o tema por um aggiornamento, uma atualização, para fornecer adequadas diretrizes pastorais.
Qual a importância do Sínodo e que atribuições ele deve trazer ás nossas famílias?
É um momento forte na vida da Igreja, que repercuti em toda a sociedade. Trata-se de uma reflexão sobre a família, que levará a conclusões importantes para a Pastoral da Família e para a pastoral em geral no contexto atual da evangelização. O papa Francisco nos convida a sermos discípulos e missionários. Ele quer uma Igreja "em saída", que vá ás periferias existenciais. Acredito que a melhor contribuição das famílias cristãs hoje, sobre tudo aquelas que estão comprometidas no trabalho pastoral, seja entrar ainda mais nesta dinâmica de ação e evangelizadora. Todos pertencemos a uma família. Ali temos que começar nosso trabalho apostólico e missionário. A família atravessa todos os extratos sociais, todas as culturas e tradições, e influencia comportamentos individuais, comunitário e as estruturas privadas e públicas. É um enorme trabalho, um empenho que todos os cristãos devem assumir e, sobre tudo, as famílias. Queremos luz força do Espírito Divino.
Por Cleonice Nascimento
Fonte: Revista O mílite Ed outubro de 2014
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