Num dos trechos da entrevista, Papa Francisco é questionado sobre a violência no Oriente Médio. Ele afirmou tratar-se de uma contradição. “A violência em nome de Deus não corresponde com o nosso tempo. É algo antigo. Numa perspectiva histórica é preciso admitir que os cristãos, às vezes, também a praticaram. Quando penso na Guerra dos Trinta Anos, era violência em nome de Deus. Hoje é inimaginável. Chegamos, às vezes, pela religião, a contradições muito sérias, muito graves. O fundamentalismo, por exemplo. Nas três religiões temos nossos grupos fundamentalistas, pequenos em relação a todo o resto." O Santo Padre disse que a estrutura mental do fundamentalismo é a violência em nome de Deus.
Questionado se pode ser considerado um revolucionário, o Papa afirmou que “a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que essas raízes querem dizer nos dias de hoje. Não há contradição entre ser revolucionário e ir às raízes,” afirmou ele. O Papa Francisco também defendeu a pobreza e a humildade na Igreja, pois, segundo ele, estão no centro do Evangelho num sentido teológico, não sociológico. “Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza, porém há que distingui-la da miséria. Eu creio que Jesus quer que nós, bispos, não sejamos príncipes, mas sim servidores".
Nesta linha, o Pontífice afirmou estar provado que é possível reduzir a crescente desigualdade entre ricos e pobres. “Com a comida que sobra poderíamos alimentar as pessoas que têm fome. Quando se vê fotografias de meninos desnutridos em diversas partes do mundo, colocamos as mãos na cabeça, não se entende”, disse. O Papa acrescentou que a economia se move no sentido do "ter mais" e se alimenta da cultura do descarte.
Sobre o encontro de domingo, 08/06, com os líderes do Oriente Médio, Papa Francisco afirmou que 99 por cento das pessoas no Vaticano diziam que não iria acontecer e, depois, o um por cento restante foi crescendo. “Não foi um ato político, mas sim um ato religioso para abrir uma janela ao mundo,” esclareceu. Em relação a Bento XVI, disse que ele criou uma instituição: a dos Papas Eméritos. “Como vivemos mais tempo, chegamos a uma idade na qual não podemos seguir adiante com as coisas. Eu farei o mesmo que ele, pedirei ao Senhor para me iluminar quando chegar o momento e me dizer o que tenho de fazer”, concluiu o Santo Padre. (EF)
Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/06/13/papa_francisco_diz_que_a_persegui%C3%A7%C3%A3o_aos_crist%C3%A3os_hoje_%C3%A9_mais_forte/bra-806710
do site da Rádio Vaticano
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