Cantora italiana se recusa
a contracenar seminua em peça musical. “Ao dinheiro e ao meu sonho eu prefiro o
meu pudor”.
A cantora italiana María Luce
Gamboni, de 18 anos de idade, teve o mérito de ser eleita para o papel de
Julieta, na obra musical Romeo & Giulietta – Ama e cambia il mondo ["Romeu e Julieta – Ama e muda o mundo"]. O
produtor da peça, David Zard, é considerado o maior produtor musical da Itália.
O palco da primeira exibição é a Arena de Verona, o famoso anfiteatro
construído no século I da era cristã. Daí, o espetáculo segue para outros
grandes teatros. Sem dúvida, este poderia ser um grande passo para que esta
jovem atriz alçasse uma carreira de sucesso. E, no entanto, algo deu errado.
Solicitada a contracenar seminua,
María Luce não pensou duas vezes. "Ao dinheiro e ao meu sonho eu prefiro o meu pudor", respondeu ao diretor. Na cena de amor com Romeu, ela
teria que usar apenas uma camisola transparente. A jovem ainda tentou negociar
com a produção da peça: pediu que usasse pelo menos uma roupa por baixo do
traje, mas o pedido foi negado.
Por outro lado, a resposta da moça
também foi categórica. "Aceitar este traje seria negar os princípios em que creio,
firmemente arraigados em minha consciência católica e de mulher", afirmou
María Luce, em entrevista ao jornal Il Resto del Carlino. "Eu gosto de
cantar, mas não a qualquer custo".
O testemunho desta cantora é um verdadeiro exemplo para
as jovens deste tempo. "Creio que é importante ter comprovado que não
aceitar compromissos é possível e dá uma grande satisfação", ressaltou.
"Não tenhamos medo de impor nossas próprias ideias, pensar sempre com a
própria cabeça e não se deixar levar. Em suma, ser capaz de renunciar à
oportunidade, se se entende que não é adequada, justa em si mesma".
Com sua atitude, María
Luce torna-se figura emblemática daquele conselho tão repetido nos últimos dias
pelo Papa Francisco, de "ir contra a corrente". Se tem se tornado comum vender o corpo para ser exibido
em propagandas comerciais, espetáculos teatrais e programas de televisão,
brilham resplandecentes personagens como María, que dão mais valor ao pudor e à
dignidade de seu próprio corpo que ao dinheiro e ao prazer.
O destemor desta jovem e de tantas
outras trazem à memória algumas palavras que Dom Aquino Corrêa, arcebispo
matogrossense do século XX, pronunciou em um memorável discurso às professoras
de Cuiabá. Ele ensinava que "nada vale a beleza sem o pudor". "A beleza sem o pudor é o ouro no lodaçal (...) É
lei natural: contrariá-la é a grande perversão do século. Outra, em verdade,
não parece a tendência atual dos tempos, senão este divórcio cada vez mais
desfaçado e completo"01.
A exortação de Dom Aquino foi feita
em 1930, bem antes da revolução sexual dos anos 1960, e já àquela época o
corajoso bispo notava que "a tendência atual dos tempos" parecia ser
justamente o despudor e a impureza. Ele não imaginava, porém, que a situação
pioraria a ponto de um parlamentar brasileiro vir a público para pedir a
"legalização" da prostituição02 - a institucionalização da indecência.
Não é verdade, porém, que a decadência deste século é
inevitável. Se, ouvindo as palavras do Santo Padre, os jovens tiverem a coragem
de ir "contra a corrente", poderão reatar, com a graça de Deus, os
laços do pudor e da beleza, há tanto tempo desfeitos. Para isto, no entanto,
não poucas vezes será preciso renunciar a uma carreira afamada ou a uma
promoção no trabalho. "Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é
digno de mim. Aquele que tenta salvar a sua vida, irá perdê-la. Aquele que a
perder, por minha causa, irá reencontrá-la" (Mt 10, 38-39).

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